quarta-feira, 31 de julho de 2019

Uma anamnese


Por Mariana Montenegro


"O homem seria metafisicamente grande se a criança fosse seu mestre"
Soren Kierkegaard

      Minha caminhada consciente no sentido da espiritualidade e do autoconhecimento tem início aos 20 anos. Digo consciente porque desde criança sou sensitiva e tenho histórias do outro mundo pra contar. Mas é na virada do século que me vi assim, como descrevo no conto "A Reconstrução do Edifício Interior":

- Quando olhou no espelho viu apenas escombros, viu um edifício em ruínas. Restava apenas terminar a demolição, desconstruir tudo e começar do zero. Era assim que via seu reflexo no espelho: uma imagem difícil de encarar. A transformação seria um processo longo, um trabalho árduo e de não garantido sucesso. Mas não podia mais se perguntar se havia jeito ou não, o sofrimento era insuportável, era transformar-se ou sucumbir. Optou por se transformar. 

    Assim comecei minha caminhada. Em outra imagem da época, eu me via andando na escuridão com uma pequena luz nas mãos. Era uma luz bem pequena, mas era toda a luz que eu possuía, e a ela me agarrei para seguir. Na trajetória que passei a empreender, fiz incursões pelas 4 funções psíquicas, na terminologia junguiana: mergulhei nas fontes da filosofia, das artes, das ciências e do sagrado.

     Sobre essa última que quero falar aqui. Estudei as religiões e seus livros sagrados, bebi na fonte de mestres dos quatro cantos. Conheci falsos mestres, que não passavam de pessoas como eu ou qualquer um, mas que se colocavam num lugar superior, cheio de regras e julgamentos sobre certo e errado. Contei com a ajuda de várias pessoas, que seguiam diferentes linhas e tradições. Fui iniciada em algumas religiões e em instituições organizadas. Recebi outros nomes. Aprendi, desaprendi, reaprendi. 

     Até que um dia, conheci alguém que me fez ver que o mestre que eu procurava estava, na verdade, dentro de mim, e que a cura é a aceitação. Foi quando eu vivi meu renascimento, num rio no Québec. Quando vivi minha boa morte, voltei à terra, ao corpo, ao agora, e recuperei minha inocência, meu estado mais simples de ser. Esvaziei minha taça, minha mente apenas refletia, sem julgar, meu coração era leve e minha criança interior era totalmente amada e acolhida. 

     Para chegar nesse lugar, passei por caminhos tortuosos, desertos, labirintos. Passei pelo caminho da lei, até encontrar esse caminho do amor. O caminho da lei é aquele das religiões e das instituições organizadas, em geral. Feito de regras, prescrições, verdades construídas a partir de fora, em que basta reproduzir. Mas não falo apenas criticando, pois me ajudou muito, numa época primária da minha consciência, em que eu precisava das leis e das regras. Ainda não era capaz de dar minhas próprias respostas, ainda não tinha tomado posse de mim, não nomeava meu mundo.  

      Sentia que havia algo de errado, porque me faltava alegria, abertura, aceitação plena. Havia em mim muita tendência à exclusão, muito mais do que ainda há hoje. A começar por excluir partes de mim mesma, o que considerava de alguma forma "pecado" ou o que não cabia na "cama de procusto". Foi muito libertador quando entendi que não precisava mais corresponder a uma imagem. Precisava apenas ser e deixar ser. 

- Por muito tempo o sábio me apontando para a luz e eu olhando para o dedo! 

     Mas honrando o caminho da lei, ele me ajudou muito a polir a pedra bruta que eu era. Por isso, sou grata. Mas segui. E seguindo encontrei o caminho que eu ansiava por trilhar. Um caminho com coração. Um caminho que se faz ao caminhar. Caminho esse que não oferece respostas prontas, pois não existem regras que deem conta do viver e do que acontece. Sobretudo, nesse caminho, ao estar diante de um ser humano, ser apenas outro ser humano. E embora o conhecimento seja complexo, o trato precisa ser simples. Cada um é o que é e dá o que pode dar. O resto é imaginação. 

     Voltando ao conto do meu livro que conta desse processo, uma outra passagem diz: 

-Continuou olhando para o espelho. Colocou os holofotes sobre seu edifício. As camadas mais brutas e obscuras da sua alma foram se descortinando, uma a uma. Eram tantos demônios, dores, tristezas, que não parecia ter fim. O edifício parecia de matéria indestrutível, teve medo de não conseguir (...)
Nas bases abriram-se buracos, as paredes e os pilares desabaram, a casa caiu. 
Ela olhava aquilo tudo aliviada, mas ao mesmo tempo desafiada, pois dali em diante teria de construir um novo edifício, por si mesma.

    Entre idas e vindas, avanços e retrocessos, estou escolhendo esse caminho do enfrentamento, da reconstrução, da reinvenção. Estou escolhendo o caminho do amor ao caminho da lei. Entre as leis  que só servem pra uns e a lei que a todos inclui, fico com esta última. Não me interessa o que me faz diferente para excluir, mas o que me faz semelhante para congraçar. Tal o desafio. 

   

   

sábado, 27 de julho de 2019

Templo de Paz: uma experiência


Por Mariana Montenegro


    As integrantes do grupo hoje relataram experienciar uma qualidade de silêncio que há tempos não viviam. Ao chegarem, expressaram passar por dias atribulados. Sentindo, em comum, estarem submersas em certos estados mentais e emocionais. 

    Após a prática do Canto das Vogais, a atmosfera mudou. Subindo a vibração, a carga pesada ficou leve, e se esvaeceu feito bruma. A imagem de um Templo de Paz é trazida.

    Permanecemos ali por um bom tempo. Desfrutando da quietude. Depois cantamos, e convidamos a alegria, a gratidão e o amor. O inferno e o paraíso são duas possibilidades e duas realidades de vibração e frequência que nos sintonizamos.

    Passamos de um lugar ao outro, numa simples prática.Precisou que soltássemos o que não nos servia mais. As amarras, as ilusões. Precisou que nos abríssemos. Sim, é possível. É uma experiência vivida junto.

    Nós criamos um Templo de Paz numa sala em Copacabana. 

quinta-feira, 25 de julho de 2019

O Canto das Vogais e a limpeza psíquica diária


Por Mariana Montenegro


      O exercício principal da Yoga do Som é o Canto das Vogais. São oito vogais, incluindo-se aí, vogais francesas. Feitas numa ordem sequencial, cada vogal age como um especialista, ao vibrar na intenção do comando consciente. Elas ressoam em partes específicas do corpo e no corpo como um todo. O Canto propicia uma limpeza celular e psíquica, proporcionando estados de harmonia, clareza e equilíbrio. É uma ferramenta simples e poderosa para transformar comportamentos tóxicos  e gerar energia vital. 

     É importante constatar que, em geral, as pessoas não têm o hábito de fazer uma limpeza psíquica diariamente, como fazem a limpeza física. Deseja-se estar limpa e perfumada fisicamente, mas a mente e as emoções, muitas vezes, emanam notas nada agradáveis de se sentir. Considerando a limpeza psíquica menos importante, a pessoa passa a acumular uma crosta de emoções, pensamentos, sensações, energias; dela, dos outros, do ambiente, enfim, tudo junto e misturado, até que a pessoa perde a capacidade de perceber o que é dela, do outro ou do ambiente. 

     Segundo Carl Jung, no livro O Homem e seus Símbolos: 

"O homem contemporâneo não consegue perceber que, apesar de toda a sua racionalização e toda a sua eficiência, continua possuído por forças além do seu controle. Seus Deuses e Demônios absolutamente não desapareceram; tem apenas novos nomes. E conservam-no em contato íntimo com a inquietude, apreensões vagas, complicações psicológicas, uma insaciável necessidade de pílulas, álcool, fumo, alimento e acima de tudo com uma enorme coleção de neuroses".

     Daí a necessidade do trabalho de auto-consciência e auto-cuidado. A importância de se fazer a limpeza psíquica diária, tendo em vista que existem muitos conteúdos e camadas inconscientes que manejam a personalidade. Muitos desses conteúdos são energias e forças, os deuses e demônios que, apesar de escaparem à razão, atuam. Assim, através do cultivo de práticas de limpeza psíquica e energética, como O Canto das Vogais, que a pessoa se torna menos marionete e mais senciente. 
     

domingo, 21 de julho de 2019

A Canção do Coração




Por Mariana Montenegro

                                 
          A Canção do Coração é um exercício feito em dupla ou em grupo com a intenção de abrir o chakra do coração e conectar alma com alma. Ela cria uma atmosfera amorosa e acolhedora, permitindo-nos olhar uns aos outros sem máscaras, defesas ou a habitual couraça do caráter que separa a essência em nós e nos outros. 

         No livro "O Caminho Quádruplo", a autora Angeles Arrien, fala do arquétipo do curador, que é aquele que presta atenção ao que tem coração e significado. A saúde emocional depende de uma atenção diária, com respeito ao que a autora chama de "As Quatro Câmaras do Coração", que são elas: Coração Cheio, Aberto, Límpido e Forte. 

           Considerava-se no Antigo Egito que, uma alma iria para o céu espiritual, quando seu coração tivesse o peso de uma pluma. Ou seja, um coração leve é sinal de que a pessoa está num bom lugar e num bom caminho. Arrien mostra que, além de leve, o coração saudável é aquele aberto, que deixa de buscar abrigo nas próprias resistências, forte, que dá a coragem de sermos autênticos, e aquele capaz de pureza, desanuviado, que vê com clareza. 

        Com isso, fazendo a Canção do Coração, busca-se abrir o chacra cardíaco, as câmaras do coração e romper aquelas resistências que não servem mais. Através do exercício, é possível contatar a leveza, força, pureza e abertura que o coração necessita para se manter saudável e pleno. Quando se deixam cair as máscaras e as defesas, o grande milagre acontece: a essência transparece na existência. E muda-se o olhar, e muda-se o mundo... 
      

sexta-feira, 12 de julho de 2019

A cultura da Yoga do Som


Por Mariana Montenegro


      A cultura da Yoga do Som parte do pressuposto de que cada pensamento, palavra, emoção, ação, tem impacto e é como um filho que trazemos ao mundo. Por isso, precisamos cuidar do que pensamos, sentimos e fazemos. Através da consciência e da atenção, assumimos essa responsabilidade e utilizamos o som como ferramenta para transformar e harmonizar nosso universo físico e psíquico. 

     A todo instante estamos diante de uma escolha: vibrar no amor, na paz, na alegria, no perdão, na compreensão...em uma palavra, na unidade, ou vibrar nos atributos da separatividade e do julgamento. O mundo atual oferece, na absurda crise de separatividade e ignorância em que se encontra, a oportunidade de fazermos esse trabalho de maneira permanente e persistente. 

   Como se sabe, Yoga significa "união", a união com a própria essência, aquele núcleo interno integrador. Para que esse encontro interno aconteça, para que a pessoa consiga se perceber como um inteiro, deve partir, indubitavelmente, da aceitação. Este é o pré-requisito, o ponto inicial, a base de todo o trabalho. É sabido que o que resiste, persiste, e que a negação esconde em si aquilo mesmo a que nega. 

    Dessa forma, o acolhimento a pessoa tal como ela é e se apresenta no momento, é fundamental. O processo de aceitação e acolhimento é um processo longo, que vai abrindo espaço para que diversas camadas do seu ser venham à tona e, pouco a pouco, a pessoa vai tecendo o seu eu mais autêntico e restaurando suas histórias. Com o tempo, vai soltando as amarras, medos, repressões, preconceitos, crenças limitantes, e vai reconstruindo seu edifício interior a partir da sua própria consciência. 

    Junto com a aceitação, a pessoa aprende sobre a compaixão por si mesma. Deixando o chicote de lado, abandonando a falsa ideia de perfeição, de querer agradar aos outros, e vai assumindo seu verdadeiro semblante. O som e a intenção consciente já são entendidos hoje como uma ciência, capaz de modificar até o nível físico e celular. (como no experimento apresentado no livro "A mensagem da Água).

   Assim, utilizando técnicas vibracionais pode-se modificar toda uma estrutura e reconstruí-la. Nas palavras de Guy Lussier, que desenvolveu a Yoga do Som: "O inferno e o paraíso estão aqui, dentro de nós, é uma escolha de cada momento". A questão que se apresenta, então, não é simplesmente o que acontece fora de nós, mas como respondemos, com que qualidade de consciência e vibração. É o que vai determinar, ou melhor, reajustar criativamente nossos corpos, relações e atitudes. 

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Maestro Aivanhov



Omraam Mickael Aivanhov, um guia espiritual do trabalho da Yoga do Som, membro da Fraternidade Branca Universal, dedica-se à filosofia da Civilização Solar


"Qualquer ato, por mais insignificante que seja, mesmo um simples gesto, uma palavra, um sentimento, um pensamento, produzem necessariamente efeitos positivos ou negativos. Pode-se dizer, pois, que, de certo modo, toda a nossa vida é vivida sob o signo da magia: tudo nela são influências, registos, vibrações, e isso é suficiente para se entrar no domínio da magia. Sempre que um ser age sobre outro ou sobre um objeto, realiza um ato mágico. Mas as pessoas olham, falam, pensam, têm desejos e sentimentos, fazem gestos, sem se aperceber de que todas as correntes que assim desencadeiam são forças mágicas. Muitas vezes, na sua ignorância, elas põem em ação forças negativas que depois se voltam contra elas e, quando são abanadas, quando ficam apanhadas, não compreendem o que lhes está a acontecer. Por isso, é importante que cada um aprenda a trabalhar sobre os seus pensamentos, os seus sentimentos, as suas palavras, os seus gestos, o seu olhar, a fim de que as forças desencadeadas por cada uma das suas atividades físicas ou psíquicas produza unicamente efeitos benéficos… Benéficos para ele, mas também para todas as outras criaturas no mundo."

"Toda a civilização não é senão um trabalho sobre a matéria. Mas existem diferentes espécies de matéria e esse trabalho que os humanos fazem sobre materiais exteriores a eles também o podem fazer sobre a sua matéria psíquica: todos os seus instintos, desejos, sentimentos e pensamentos representam uma matéria sobre a qual eles têm de executar um imenso trabalho de purificação, de elaboração. De um certo ponto de vista, pode-se dizer que é um trabalho de criação semelhante à criação artística, pois obedece às mesmas leis. Por dizer respeito à totalidade do nosso ser, o verdadeiro trabalho de criação é o trabalho espiritual: nós projetamo-nos o mais alto possível para descobrir uma ordem, uma estrutura, e captar as partículas mais puras que entrarão na matéria dos nossos diferentes corpos: os nossos corpos espirituais, os nossos corpos psíquicos e também o nosso corpo físico. É um esforço de todos os dias, de todos os instantes. Em cada dia, nós acrescentamos uma cor mais vibrante, uma forma mais subtil, um som mais harmonioso."

Notas - Sobre o poder do pensamento

Quando pensamos em alguém, atraímos a energia dessa pessoa, e enviamos energia a ela.  (presencialmente o Guy faz até uma demonstração físic...